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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Teatro Nacional





O Teatro Nacional é o maior conjunto arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer em Brasília destinado exclusivamente às artes. É um dos pontos centrais de interesse turístico, numa cidade em que os monumentos impressionam pela sobriedade e rigor arquitetônicos. Evidentemente, está lá, mesmo que velado, nos planos de Lucio Costa, nos planos de Juscelino Kubitschek, no plano dos seus primeiros moradores. Um teatro que se construiu pela necessidade e pelo sonho.


O teatro e suas cenas concretas - Localizando no mapa



No Relatório do Plano Piloto, Lucio Costa dá a primeira definição de qual destino novo Brasília está traçada, com a previsão certeira de que também precisará de vida cultural: cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.

Mais à frente, noutro item do Relatório, a cultura já pode ser situada: como decorrência dessa concentração residencial, os centros cívico e administrativo, o setor cultural, o centro de diversões, o centro esportivo, o setor administrativo municipal, os quartéis... E ainda no artigo 5: O cruzamento desse eixo monumental, de cota inferior, com o eixo rodoviário residencial impôs a criação de uma grande plataforma liberta do tráfego que não se destina ao estacionamento ali, remanso onde se concentrou logicamente o centro de diversões da cidade, com os cinemas, os teatros, restaurantes, etc.

No item 10, o urbanista vislumbra uma cidade culturalmente pulsante e até com um quê de exótica: Nesta plataforma (...) onde o tráfego é apenas local, situou-se então o centro de diversões da cidade (mistura em termos adequados de Piccadily Circus, Times Square e Champs Elysées). A face da plataforma debruçada sobre o setor cultural e a esplanada dos ministérios, não foi edificada com exceção de uma eventual casa de chá e da ópera, cujo acesso tanto se faz pelo próprio setor de diversões, como pelo setor cultural contíguo, em plano inferior. Na face fronteira foram concentrados os cinemas e teatros, cujo gabarito se faz baixo e uniforme, constituindo assim o conjunto deles um corpo arquitetônico contínuo, com galeria, amplas calçadas, terraços e cafés, servindo as respectivas fachadas em toda a altura de campo livre para a instalação de painéis luminosos de reclame. As várias casas de espetáculo estarão ligadas entre si por travessas no gênero tradicional da rua do Ouvidor, das vielas venezianas ou de galerias cobertas (arcades) e articuladas a pequenos pátios, com bares e cafés (...)

A origem


O Teatro Nacional é o maior conjunto arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer em Brasília destinado exclusivamente às artes. É um dos pontos centrais de interesse turístico, numa cidade em que os monumentos impressionam pela sobriedade e rigor arquitetônicos. Evidentemente, está lá, mesmo que velado, nos planos de Lucio Costa, nos planos de Juscelino Kubitschek, no plano dos seus primeiros moradores. Um teatro que se construiu pela necessidade e pelo sonho.


O projeto

O Teatro Nacional foi projetado por Niemeyer numa temporada de carnaval em que, certamente, enfrentava os desafios e a imensa solidão do planalto central, acompanhando as obras da capital. Tem a forma de uma pirâmide sem ápice, característica da arquitetura asteca. Foi calculado por Joaquim Cardozo, o poeta que tinha o domínio para as grandes massas de concreto armado. São 3.608 vidros nas fachadas leste e oeste. Os cubos brancos nas paredes norte e sul, de dimensões diversas, desenhados por Athos Bulcão, passam também de centenas. Esses relevos são a maior e mais monumental obra de intervenção urbana de Athos Bulcão. Na elaboração do projeto, Oscar Niemeyer teve a colaboração do pintor, cenógrafo e técnico de teatro, o italiano Aldo Calvo.



A construção


O Teatro Nacional de Brasília, assim chamado no início, foi construído em várias etapas, iniciando-se as obras a partir de 30 de julho de 1960, poucos meses depois da inauguração da capital em 21 de abril. O presidente do Brasil é claro, era Juscelino Kubitschek e o prefeito da nova capital, Israel Pinheiro. A Novacap foi a responsável pela obra em todas as suas etapas. A estrutura ficou pronta em 30 de janeiro de 1961, mas as obras foram interrompidas por um período de cinco anos, sendo retomados parcialmente em 1966 para completar, não de todo, a Sala Martins Pena, inaugurada no mesmo ano, 21 de abril de 1966. A Sala Martins Pena após dez anos de atividade foi fechada em 4 de setembro de 1976 para, logo em julho, recomeçaram as obras de conclusão do Teatro Nacional, entregue completamente construído no dia 21 de abril de 1981. Os jardins foram projetados por Burle Marx, dentro da obra de finalização completa do prédio. Nesse trabalho de conclusão, a equipe foi dirigida pelo arquiteto Milton Ramos. O tratamento acústico foi encomendado ao especialista russo Igor Sresnewski. O teatro foi reaberto em 6 de março de 1979, com todas as salas concluídas, mas vários problemas que exigiam imediata correção fizeram que com novas obras fossem executadas a partir de novembro do mesmo ano.
Nesta última etapa, foi construído o Anexo do Teatro, para abrigar a administração, a sede da Fundação Cultural e salas de ensaio e galerias. O Anexo foi inaugurado no dia 24 de junho de 1981, pelogovernador de então, Aimé Lamaison.O teatro passou a se chamar Teatro Nacional Claudio Santoro pela Lei nº 378, de 1º de setembro de 1989, em homenagem ao maestro e compositor que foi genial criador, pioneiro e grande incentivador da educação e da cultura em Brasília.







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